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O Círculo da Matemática do Brasil foi tema de discussão no webinar “Matemática e Desenvolvimento Humano”, realizado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, no dia 22 de outubro. Participaram do evento os professores Robert e Ellen Kaplan, criadores da abordagem The Math Circle, o professor Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel da Economia e um dos criadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e Stephen Kennedy, da Mathematical Association of America. O webinar era aberto ao público de Havard e foi transmitido em tempo real pela internet, onde espectadores de todo o mundo puderam assistir.

A discussão foi mediada pelo economista Flavio Comim. Ele começou explicando que a experiência d’O Círculo da Matemática do Brasil demonstrou que a matemática pode ser uma fonte de exclusão na medida em que crianças que têm dificuldade nessa matéria às vezes são rotuladas por esse motivo. Bob e Ellen lembraram que a maioria dos alunos acha matemática algo chato, e que muitos professores passam seu medo da matemática aos alunos. A abordagem The Math Circle, por outro lado, tem como axioma “diga-me e vou esquecer, pergunte-me e vou descobrir”. “Colocamos mistérios acessíveis na frente de nossos estudantes. A conversa começa com um mistério e termina com uma maravilha”, contou Bob.

Amartya Sen, por sua vez, lembrou de sua própria experiência como professor de matemática nos anos 1950, brincando que não conseguia fazer seus alunos entenderem que a matéria era fantástica e útil. Voltando ao tema do webinar, ele recordou que desenvolvimento econômico tem a ver com desenvolvimento humano e citou exemplos de países historicamente comprometidos com a educação – Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Cingapura e China. “A liberdade vem com a habilidade de ler, ouvir, entender instruções, coisas que vem com a matemática. No desenvolvimento do homem, a matemática tem um papel principal”, disse.

O ganhador do Nobel da Economia de 1998 salientou a participação dos países periféricos no desenvolvimento da matemática e da ciência. Ele lembrou o quanto esse campo do conhecimento é global ao citar as contribuições da Índia e do Irã na história da matemática, e a interação entre realizações de europeus, árabes e indianos. “O que a matemática faz e pode fazer para o desenvolvimento é a habilidade de libertar um ao outro, de aprender dos outros”, pontuou. O também professor Stephen Kennedy, membro da Mathematical Association of America, fechou o webinar apontando como desafio para os governos criar alternativas para conciliar o nível individual da abordagem The Math Circle e o nível nacional de desenvolvimento citado por Sen.

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