Estudo revelou impacto da pandemia na saúde mental e bem-estar de professores

Estudo revelou impacto da pandemia na saúde mental e bem-estar de professores

Uma pesquisa promovida pelo Instituto TIM, por meio do projeto “O Círculo da Matemática no Brasil”, buscou identificar como anda a saúde mental dos docentes e quais foram os impactos da Covid-19 no bem-estar desses profissionais. Quase 70% dos professores ouvidos relataram dificuldades em se adaptar às aulas remotas, porém a pandemia trouxe à tona um sentimento de mais eficiência e otimismo em relação à carreira.

Foram ouvidos professores do ensino fundamental em diferentes Estados do Brasil, da rede pública e privada, entre janeiro e novembro de 2020. Quase 80% trabalham em bairros economicamente mais vulneráveis, dando uma média de 30 horas de aulas por semana, para cerca de 28 alunos por turma. Um quarto dos entrevistados trabalha em duas ou mais escolas e 24% exercem outra atividade para complementar sua renda.

O estudo constatou que o ambiente em sala de aula é muito mais prejudicial à saúde mental dos professores, apesar das condições para o trabalho remoto serem adversas – 66,4% dos entrevistados relataram dificuldades de adaptação, 58% contaram que não conseguem ministrar as aulas em casa sem barulho ou interrupções e 78% apresentaram problemas de insônia ou excesso de sono. 

Conflitos nas turmas e violência nas localidades onde as escolas estão inseridas foram apontados como os principais fatores negativos do trabalho presencial. Na pesquisa, 64% dos docentes responderam que já presenciaram agressão física ou verbal contra professores ou funcionários, feitas por alunos. Outros 72% relataram já ter presenciado brigas entre estudantes. 

Por isso, mesmo com as dificuldades de adaptação ao novo formato de aulas digitais, uma das conclusões do levantamento é que a pandemia trouxe um respiro ao bem-estar mental de quem leciona. Como consequência, houve aumento do sentimento de auto eficácia dos professores durante a pandemia e o otimismo em relação à carreira. Cerca de 45% dos entrevistados viam possibilidades de desenvolvimento e de promoções. Mais de 80% dos docentes acreditam que suas qualificações continuarão válidas no futuro.  

“Já estávamos desenvolvendo esse estudo sobre a saúde mental dos professores e com o Covid-19 avaliamos os resultados coletados e fizemos uma nova rodada de questionários para entender os efeitos da pandemia. O ensino remoto trouxe dificuldades, mas os professores já estavam psicologicamente esgotados muito antes da crise”, explica o economista Flavio Comim, professor da IQS School of Management (Barcelona) e da Universidade de Cambridge, responsável pela pesquisa e um dos idealizadores do projeto “O Círculo da Matemática no Brasil”.