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A pesquisa “A matemática das crianças e dos pais”, realizada por O Círculo da Matemática do Brasil em 2017, mostrou que o conhecimento dos pais em matemática, atitudes em relação à matéria e engajamento nas atividades dos filhos influenciam no desempenho das crianças. A pesquisa entrevistou e testou 1.512 pares de crianças de 3º e 5º ano de escolas públicas e seus pais (ou responsáveis) em 20 cidades de todo o país. Essa é a segunda pesquisa realizada pelo Círculo que extrapola a abrangência do projeto: em 2015, o estudo “A matemática dos adultos” descobriu, entre outras conclusões, que 75% dos adultos entrevistados não conseguia fazer médias simples e entender frações.

Desta vez, foram pesquisadas as habilidades matemáticas das crianças e de seus pais – para as crianças, foi calculado o ICM (Índice de Competências Matemáticas) baseado no currículo dos 3º e 5º anos; para os pais, foi calculado o ICMpais, baseado em medições da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e testes de alfabetização matemática de adultos. As crianças também responderam a questões sobre estudo e gosto por matemática e seus pais, a questões sobre como se sentem em relação à matemática e sobre suas atitudes e engajamento (uso do tempo) no ensino dos filhos.

O objetivo da pesquisa era entender a relação entre a matemática das crianças e a matemática de seus pais, ou como o aprendizado da matemática no Ensino Fundamental depende da influência das famílias. O estudo descobriu que os filhos de pais que sabem mais matemática vão melhor na matéria. O impacto que o conhecimento dos pais tem é equivalente a 1 ano e meio de aulas de matemática (supre 80% da diferença entre uma criança estar no 3º ou no 5º ano). É uma influência 3 vezes maior do que a dos pais estarem desempregados.

A atitude dos pais em relação à matemática e seu envolvimento na vida escolar dos filhos também influenciam no desempenho das crianças. Pais que conhecem o nome da professora de seus filhos têm filhos com um ICM 23% maior do que as outras crianças. Pais que sabem o que os filhos têm estudado têm filhos com um ICM 17,5% maior. O envolvimento dos pais produz uma influência similar à causada pelo conhecimento. Em outras palavras, pais que não sabem matemática podem compensar o efeito negativo disso com melhores atitudes em relação à matéria e maior envolvimento na vida escolar de seus filhos.

“O resultado mais importante foi a evidência de que o conhecimento de matemática dos pais afeta o conhecimento matemático dos filhos. Mas não apenas isso. As atitudes dos pais em relação à matemática e suas práticas parentais dentro de casa também têm efeito. Isso é o principal”, resume Flavio Comim, coordenador da pesquisa e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade de Cambridge. “Cabe, no entanto, destacar que 93% dos pais acham que a escola faz um bom trabalho no ensino da matemática. Assim, fica difícil pressionar os políticos para a melhoria da educação se por falta de conhecimento achamos que está bom.”

A pesquisa também reforçou a ideia de que a oportunidade de aprender matemática se faz em uma janela de tempo curta: todas as crianças de 7 anos entrevistadas disseram que achavam matemática “legal”, um percentual que cai progressivamente até que, aos 13 anos, a rejeição pela matéria ultrapassa o gosto por ela. Também influencia esse resultado a falta de apoio dentro de casa para o estudo da matemática. As crianças começam gostando da disciplina, mas pouco a pouco, parte pelo que acontece na escola, parte pelo que acontece em casa, vão ficando para trás.

 

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